A crescente onda de reestruturação do capital e a incessante busca por lucros exacerbados por parte das grandes corporações transnacionais têm encontrado forte oposição da classe trabalhadora global. Em um cenário que se estende da Europa à Ásia, operários metalúrgicos estão cruzando os braços, enfrentando a repressão estatal para assegurar seus empregos, salários e direitos fundamentais. Diante dessa ofensiva patronal e governamental, centrais sindicais, como a brasileira CSP-Conlutas e sua Secretaria Nacional de Metalúrgicos, manifestam total e irrestrito apoio a essas mobilizações, reforçando o histórico princípio de que nenhuma luta deve ser travada isoladamente.
Resistência Operária na Europa: Enfrentamento a Demissões e Repressão Estatal
No continente europeu, os trabalhadores do setor automotivo, incluindo gigantes como Volkswagen, Audi, Mercedes, MAN e Porsche, além de toda a cadeia produtiva, estão sendo duramente atingidos por planos agressivos de fechamento de fábricas e demissões em massa. Essas empresas buscam transferir os custos da crise do capitalismo e da transição industrial para a força de trabalho, desmantelando plantas históricas para preservar os superlucros dos acionistas. A reação a esses cortes tem sido veemente, com mobilizações em várias frentes.
A postura dos governos europeus frente a essa exploração revela uma face autoritária e repressiva. Na Alemanha, por exemplo, a ação policial atingiu um patamar inaceitável quando trabalhadores da Audi em Ingolstadt foram detidos por panfletarem pacificamente um jornal operário. Este episódio chocante representa um ataque direto às liberdades democráticas e sindicais básicas. Diante dessa ofensiva, os trabalhadores europeus, com o apoio de entidades internacionais, têm defendido o cancelamento imediato de todas as demissões, a proteção integral dos postos de trabalho e a estatização, sob controle operário, das fábricas ameaçadas. Além disso, exigem o fim da repressão estatal, com a libertação e retirada de processos contra ativistas, e a redução da jornada de trabalho sem corte salarial, visando garantir emprego digno para todos.
Coreia do Sul: Metalúrgicos se Preparam para uma Greve Geral por Direitos
Do outro lado do globo, a Coreia do Sul testemunha uma mobilização operária de igual magnitude e determinação. Cerca de 180 mil trabalhadores do Korean Metal Workers’ Union (KMWU) planejam uma Greve Geral para 15 de julho de 2026. Esta ação massiva surge como resposta ao boicote imposto por grandes conglomerados econômicos, que se recusam a cumprir uma legislação aprovada em agosto de 2025.
Essa nova lei obriga as contratantes principais a negociarem diretamente com os trabalhadores terceirizados, uma medida crucial para combater a precarização. Apesar de 73 bases sindicais terem formalmente exigido negociação com 23 grandes empresas, a resposta patronal tem sido o silêncio e o ataque à organização sindical. A Greve Geral coreana, portanto, foca em eixos cruciais que ressoam globalmente: o direito à negociação direta com as contratantes principais para pôr fim à precarização, a proteção do emprego frente aos avanços da Inteligência Artificial (IA) e automação – defendendo que a decisão sobre a tecnologia na fábrica deve ser dos trabalhadores e não do capital para gerar desemprego – e a negociação por ramo/setor, buscando a valorização real do salário mínimo da categoria e o combate à desigualdade salarial.
A Necessidade Urgente de Solidariedade Global: Trabalhadores do Mundo, Uni-vos!
A convergência das lutas na Europa e na Coreia do Sul sublinha uma verdade inegável: a mesma estratégia de exploração, reestruturação e supressão de direitos empregada por corporações como Volkswagen e Mercedes no Ocidente é replicada contra a classe trabalhadora em nações como a Coreia do Sul, na América Latina e no Brasil. O capital, que opera sem fronteiras, exige uma resposta igualmente global e unificada dos trabalhadores.
A dor de um operário em Wolfsburg ou Seul é a mesma que atinge um metalúrgico brasileiro. Como enfatiza Luiz Carlos Prates, conhecido como Mancha, dirigente da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas: “Não aceitaremos que os patrões nos dividam por nacionalidades ou nos coloquem em concorrência uns contra os outros. A unidade da classe trabalhadora é internacional.” A central sindical brasileira reitera a exigência de negociações imediatas entre governos e empregadores com os sindicatos legítimos, como caminho essencial para a garantia de direitos e a valorização do trabalho, construindo um futuro mais justo para todos os trabalhadores.
Fonte: https://mundosindical.com.br