A seleção francesa, atual vice-campeã mundial e finalista das últimas duas edições da Copa, deu mais um passo em sua jornada rumo a uma inédita terceira decisão consecutiva. Neste sábado (4), os Bleus superaram a forte defesa do Paraguai com um placar de 1 a 0, em partida válida pelas oitavas de final disputada na Filadélfia, Estados Unidos. A vitória garante à França uma vaga nas quartas de final, onde reeditará um confronto de peso contra Marrocos.
O Duelo Tático: Retranca Sul-Americana Contra o Ataque Francês
O embate no Lincoln Financial Field foi um verdadeiro teste de paciência para a equipe comandada por Didier Deschamps. Com apenas uma alteração em relação ao jogo anterior – a entrada de Manu Koné no lugar de Aurélien Tchouaméni – a França esperava impor seu ritmo ofensivo. No entanto, o técnico paraguaio Gustavo Alfaro preparou sua equipe com uma formação defensiva sólida, promovendo três mudanças para reforçar o 'ferrolho', incluindo a entrada dos zagueiros Gustavo Velázquez e Omar Alderete, e a substituição de Damián Bobadilla por Diego Gómez no meio-campo.
Durante a primeira etapa, a estratégia paraguaia se mostrou altamente eficaz. Apesar de a França ter dominado a posse de bola em 57% do tempo e trocado um volume de passes seis vezes maior, os sul-americanos conseguiram neutralizar as investidas francesas, fechando todos os espaços no terço final do campo. O goleiro Orlando Gill, do Paraguai, mal foi acionado, com a única finalização perigosa vindo de Koné, que desviou na defesa e quase surpreendeu o arqueiro, evidenciando a dificuldade francesa em transpor a muralha alvirrubra.
A Persistência é Recompensada: Doué e o Gol de Mbappé
O segundo tempo manteve o cenário de pressão francesa, com os Bleus intensificando a busca pelo gol. Aos nove minutos, Koné novamente arriscou de longa distância, obrigando Gill a fazer uma defesa impressionante, esticando-se no ângulo esquerdo. O tempo, porém, começou a pesar sobre os atletas paraguaios. O desgaste físico se manifestou em substituições por cansaço, e a lesão do meia Miguel Almirón, que desabou no gramado, evidenciou a exaustão da equipe que se dedicava à marcação intensa.
A resistência sul-americana finalmente cedeu aos 19 minutos da etapa complementar. O jovem Désiré Doué, que acabara de entrar na partida, realizou uma jogada individual brilhante, driblando na área até ser derrubado por Diego Gómez. Após consulta ao VAR, o árbitro Ilgiz Tantashev assinalou a penalidade máxima. Aos 24 minutos, Kylian Mbappé cobrou com maestria, sem chances para Gill, abrindo o placar e quebrando o impasse.
Com a vantagem no placar, a partida mudou de dinâmica. O Paraguai foi obrigado a sair para o ataque em busca do empate, o que gerou espaços para os contra-ataques franceses. Mbappé, em mais uma arrancada pela esquerda nos acréscimos, teve duas chances claras de ampliar, mas novamente se deparou com as grandes defesas de Gill, que evitou um placar mais elástico. Apesar da pressão final, o Paraguai não conseguiu reverter a situação, e a França garantiu a vitória.
O Reencontro com Marrocos e a Perseguição a Recordes
Com a classificação assegurada, a França se prepara para um reencontro eletrizante nas quartas de final contra Marrocos. A partida, marcada para a próxima quinta-feira (9), às 17h (horário de Brasília), em Boston, reedita uma das semifinais da última Copa, onde os franceses levaram a melhor por 2 a 0. Este será um desafio significativo, dadas as surpresas que a seleção marroquina tem proporcionado no torneio.
Individualmente, Kylian Mbappé continua a brilhar intensamente. O gol de pênalti foi seu sétimo na competição e o 19º em Copas do Mundo, colocando-o na cola de Lionel Messi, que soma 20. Com uma média impressionante de um gol por jogo em mundiais, Mbappé não apenas lidera a artilharia deste torneio ao lado do argentino, mas também se consolida como uma das maiores estrelas da história da competição. A vitória francesa também ressoa com a história, remetendo à Copa de 1998, quando os Bleus eliminaram o Paraguai nas oitavas de final por 1 a 0 na prorrogação, num roteiro que se repete em termos de desfecho para a seleção sul-americana.
A França Segue Firme em Sua Missão
A vitória sobre o Paraguai, embora apertada, demonstra a capacidade da França de superar adversidades táticas e a persistência de seus jogadores em momentos cruciais. A equipe segue firme em seu objetivo de alcançar a terceira final consecutiva, um feito que a colocaria ao lado do Brasil de 1994 a 2002. Com um ataque talentoso e uma defesa que, quando exigida, se mostra sólida, os Bleus entram nas quartas de final como fortes candidatos ao título, prontos para o desafio contra Marrocos.