O lateral-esquerdo Douglas Santos se destaca na atual seleção brasileira que disputa a Copa do Mundo não apenas por sua performance em campo, mas por trazer uma bagagem única: ele é um dos três remanescentes do time que conquistou a inédita medalha de ouro nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016. Essa vivência, compartilhada com o zagueiro Marquinhos e o atacante Neymar, é vista pelo defensor do Zenit, da Rússia, como um trunfo essencial para a ambiciosa caminhada em busca do hexa mundial. Em entrevista coletiva concedida nesta sexta-feira (3), no hotel da delegação em Nova Jersey, nos Estados Unidos, Santos detalhou a importância de seu passado olímpico e o foco do elenco no desafio que se apresenta.
O Legado do Ouro e a Responsabilidade da Amarelinha
A conquista olímpica de 2016 marcou um capítulo histórico para o futebol brasileiro, e a experiência daquele torneio, disputado em casa, deixou lições valiosas para Douglas Santos. Segundo o lateral, a pressão sentida na ocasião é comparável à que a equipe enfrenta agora. “Sentimos o peso, ainda mais jogando no Brasil. Sabíamos da responsabilidade e da vontade de todo brasileiro que era conquistar a Olimpíada. Não é diferente hoje. Estamos focados”, afirmou, sublinhando a continuidade de um objetivo grandioso.
A lembrança do êxito olímpico serve de inspiração e referência. Douglas Santos enfatiza que a equipe busca um feito ainda maior. “A Copa do Mundo seria um feito inesquecível para todos. Estamos trazendo a vivência daquela Olimpíada, sabendo que temos muito a entregar ainda”, acrescentou, destacando a mentalidade de um grupo preparado para superar desafios e alcançar um objetivo que seria memorável para o país.
De Volta à Seleção Principal: Superação e Consolidação
A trajetória de Douglas Santos na seleção principal teve seus altos e baixos. Apesar de ter sido convocado em 2013 e 2015, sua estreia de fato aconteceu justamente em 2016, a mesma temporada do ouro olímpico, em um amistoso contra o Panamá. No entanto, foram necessários longos nove anos para que ele recebesse uma nova oportunidade consistente com a Amarelinha, o que se provou determinante para o lateral cair nas graças do técnico Carlo Ancelotti e se firmar no elenco.
Na disputa pela vaga de titular na Copa do Mundo, Douglas Santos demonstrou consistência e superou a concorrência com o experiente Alex Sandro, que está em seu terceiro Mundial. O lateral de 32 anos tem sido amplamente elogiado por suas atuações regulares, o famoso estilo “feijão com arroz”, e pela eficaz parceria com o atacante Vinícius Júnior, ambos atuando pelo lado esquerdo do campo.
A Sinergia Tática na Lateral Esquerda
Douglas Santos detalhou a complexidade de sua função e a importância da sincronia com o companheiro de ataque. “Eu preciso ter uma boa leitura quando o Vini pega a bola, saber o momento certo de fazer a ultrapassagem [e gerar opção no ataque] e estar vigilante para, se o Vini perder a bola, poder recuperar e a equipe adversária não ter uma transferência ofensiva rápida”, explicou. Essa comunicação constante e entendimento tático com Ancelotti são cruciais para o equilíbrio da equipe.
O camisa 16 enfatizou seu compromisso com a excelência nos fundamentos. “Acho que esse feijão com arroz bem temperado que todo mundo está falando é fazer o simples com excelência. Eu me preparei muito para chegar à seleção brasileira depois de nove anos. Não queria perder essa oportunidade e estou fazendo tudo que o mister vem pedindo. Vou continuar dando meu melhor para que esse feijão com arroz bem temperado possa continuar alegrando todo torcedor brasileiro”, completou, mostrando sua dedicação em campo.
Foco e Motivação Diante dos Desafios na Copa
O Brasil se prepara para um embate decisivo neste domingo (5), às 17h (horário de Brasília), contra a Noruega, em Nova Jersey, valendo uma vaga nas quartas de final. Em meio à euforia pela vitória por 2 a 1 sobre a Costa do Marfim, o técnico norueguês, Stale Solbakken, gerou um momento de tensão ao dizer para Ancelotti “esperar”, indicando que eles estavam “chegando”. Embora Solbakken tenha posteriormente negado ser uma provocação, Douglas Santos admitiu que o discurso serviu de motivação.
A situação remete a declarações do atacante japonês Kento Shiogai, que havia dito que o Brasil “não era como antigamente” dias antes de a seleção brasileira vencer o Japão por 2 a 1 e se classificar às oitavas. “Vocês [jornalistas] viram a vontade e a garra que estávamos, mesmo depois de tomarmos o gol. Continuamos focados, jogando com paciência. Graças a Deus, respondemos jogando futebol”, finalizou o lateral, evidenciando a resiliência e a capacidade de resposta do elenco brasileiro diante de qualquer tipo de desafio ou provocação externa.
Com a experiência de um ouro olímpico, uma jornada de superação e uma dedicação tática exemplar, Douglas Santos personifica a mescla de vivência e foco que a Seleção Brasileira busca para alcançar seu sexto título mundial. Sua contribuição, seja na solidez defensiva ou na construção ofensiva, é um componente vital na complexa engrenagem que almeja a glória máxima no futebol.