O cenário político brasileiro perdeu uma de suas mais emblemáticas figuras neste domingo (15), com o falecimento de Renato Rabelo. Aos 83 anos, o ex-presidente do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) sucumbiu a complicações decorrentes de um câncer, deixando um legado de mais de seis décadas dedicadas à militância e à construção de um projeto político para o país.
Uma Trajetória Marcada pela Luta e Pela Resistência
Nascido na Bahia, Renato Rabelo iniciou sua combativa jornada no efervescente movimento estudantil, ascendendo à vice-presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE). Sua trajetória o levou a integrar a Ação Popular (AP), desempenhando um papel crucial na fusão dessa organização com o PCdoB em 1973, um marco que moldaria sua vida política. Após o trágico episódio da Chacina da Lapa, Rabelo viveu o exílio na França, retornando ao Brasil somente com a Anistia em 1979. Este período foi fundamental para aprofundar laços com figuras históricas do partido, como João Amazonas, de quem se tornaria sucessor na presidência da legenda.
À frente do PCdoB, entre 2001 e 2015, Rabelo consolidou-se como um dos pilares da história centenária da agremiação. Sua visão estratégica foi determinante para a formulação das políticas que guiaram a participação comunista nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Ele também teve papel ativo na concepção da Frente Brasil Popular, movimento que lançou Lula à Presidência pela primeira vez em 1989, demonstrando sua capacidade de articular amplas alianças em prol de objetivos comuns.
O Legado Intelectual e a Visão Internacionalista
Mesmo após deixar a presidência partidária, o engajamento de Renato Rabelo com as causas comunistas e o desenvolvimento nacional permaneceu inabalável. Em 2016, assumiu a presidência da Fundação Maurício Grabois, da qual, posteriormente, tornou-se presidente de honra, perpetuando seu compromisso com o estudo e a difusão do pensamento socialista. Além de suas contribuições internas, Rabelo foi um incansável articulador no cenário global, dedicando-se a estreitar relações com partidos comunistas e governos socialistas, com destaque para a China, o Vietnã e Cuba, fortalecendo a diplomacia partidária brasileira.
Homenagens de Líderes Políticos
A notícia do falecimento de Renato Rabelo reverberou profundamente no espectro político nacional, provocando manifestações de pesar e reconhecimento de importantes líderes. Em suas redes sociais, o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, expressou seu luto neste domingo, declarando: “A democracia brasileira perdeu hoje um de seus maiores nomes, o meu querido companheiro Renato Rabelo. Dirigente histórico do PCdoB, trilhamos, lado a lado, alguns dos momentos mais importantes de nossa história. Estivemos juntos nas greves do ABC, nas Diretas Já e nas campanhas presidenciais a que concorri. A visão estratégica de Renato Rabelo e sua capacidade de reunir as forças políticas em prol da soberania e justiça social seguirão, sempre, ajudando a guiar o caminho daqueles que querem construir um Brasil melhor para todas e todos. Aos seus amigos, familiares e companheiros, deixo meu carinhoso abraço”.
A ex-presidenta Dilma Rousseff, por sua vez, já havia caracterizado Rabelo em sua biografia como “um baiano doce de alma revolucionária, comprometido com o desenvolvimento nacional e a construção do socialismo”. O próprio presidente Lula, em depoimento para a mesma obra, escrita pelo jornalista Osvaldo Bertolino, o descreveu como “uma das figuras mais relevantes da história política do Brasil”, sublinhando a dimensão de sua influência e o respeito que angariou ao longo de sua vida pública.
O Adeus e a Perenidade de um Ideal
Em nota oficial, o Partido Comunista do Brasil lamentou profundamente a partida de seu histórico líder, destacando o legado que, segundo a agremiação, “fortalece a luta por um Brasil soberano, democrático e socialista”. O PCdoB salientou que a vida e as realizações de Renato Rabelo continuarão a inspirar as novas gerações de militantes e cidadãos engajados com as transformações sociais.
A direção nacional do partido manifestou suas mais sentidas condolências à esposa, Conceição Leiro Vilan, conhecida carinhosamente como Conchita, aos filhos André e Nina, demais familiares, amigos e companheiros de militância. O velório de Renato Rabelo será realizado na segunda-feira, 16 de fevereiro, das 8h às 12h, no Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, localizado na Rua Galvão Bueno, 782 – Liberdade. A cerimônia de cremação, por sua vez, ocorrerá em caráter restrito à família e amigos próximos.
Fonte: https://mundosindical.com.br