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IPCA Acelera em Fevereiro, Mas Inflação Acumulada em 12 Meses Desacelera e Fica Dentro da Meta

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A inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou uma aceleração significativa em fevereiro de 2026, atingindo 0,7%. Esse patamar representa um aumento em relação aos 0,33% observados em janeiro, marcando a maior taxa mensal para o índice desde fevereiro de 2025, quando o IPCA foi de 1,31%. No entanto, apesar da alta mensal, a inflação acumulada nos últimos doze meses apresentou um recuo notável, fixando-se em 3,81%, um valor abaixo dos 4,44% registrados no período imediatamente anterior. Os dados, divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que a inflação anual permanece dentro do limite máximo de tolerância estabelecido pelo governo.

Educação Impulsiona a Aceleração Mensal do IPCA

O principal vetor da aceleração do IPCA em fevereiro foi o grupo Educação, que apresentou uma variação expressiva de 5,21%. Esse aumento é diretamente atribuído aos reajustes anuais nas mensalidades de escolas e cursos, prática comum no início do ano letivo. A contribuição da Educação para o índice do mês foi robusta, respondendo por cerca de 44% do resultado total. Destaque para os cursos regulares (6,2%), com variações notáveis no ensino médio (8,19%), ensino fundamental (8,11%) e pré-escola (7,48%). Somado ao grupo Transportes, esses dois setores foram responsáveis por aproximadamente 66% da alta do IPCA no período.

Cenário da Inflação Acumulada: Recuo e Comparativo Histórico

Embora o índice de fevereiro tenha sido o mais alto em um ano, a perspectiva de longo prazo revela uma desaceleração. O IPCA acumula 1,03% no ano e, ao analisar os últimos doze meses, a taxa de 3,81% demonstra um arrefecimento em relação aos 4,44% registrados no ciclo anterior. Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa do IBGE, contextualiza que, mesmo com a aceleração em relação aos meses imediatamente anteriores, o resultado de 0,7% para fevereiro de 2026 é o menor para esse mês específico desde 2020, quando a taxa foi de 0,25%.

Gonçalves aponta que a inflação de fevereiro de 2025, de 1,31%, foi significativamente influenciada por pressões no grupo Habitação, especialmente na energia elétrica, devido ao fim do Bônus de Itaipu, cenário que não se repetiu em 2026. A comparação dos grupos também revela dinâmicas distintas: enquanto a Educação acelerou para 5,21% em fevereiro de 2026, contra 4,7% no mesmo mês de 2025, a composição geral das pressões inflacionárias se diversificou.

Variações em Transportes e Alimentação: Destaques e Desacelerações

Fora do setor educacional, o grupo Transportes também exerceu pressão significativa. As passagens aéreas se destacaram com um aumento de 11,4%, ao lado de outras altas como o seguro voluntário de veículos (5,62%), o conserto de automóvel (1,22%) e o ônibus urbano (1,14%). No segmento de combustíveis, o índice geral registrou queda de -0,47%, impulsionado por recuos na gasolina (-0,61%) e no gás veicular (-3,10%), apesar das elevações no etanol (0,55%) e no óleo diesel (0,23%).

Já o grupo Alimentação e Bebidas mostrou uma variação mais contida, passando de 0,23% em janeiro para 0,26% em fevereiro. A alimentação no domicílio, com variação de 0,23% (ante 0,10% em janeiro), foi influenciada por altas de produtos como açaí (25,29%), feijão carioca (11,73%), ovo de galinha (4,55%) e carnes (0,58%). No sentido oposto, foram observadas quedas importantes em itens como frutas (-2,78%), óleo de soja (-2,62%), arroz (-2,36%) e café moído (-1,20%). A alimentação fora do domicílio desacelerou para 0,34%, com a refeição saindo de 0,66% para 0,49% e o lanche de 0,27% para 0,15%.

O gerente da pesquisa do IBGE ressaltou que a variação de 0,26% nos alimentos em fevereiro indica uma desaceleração em comparação com fevereiro de 2025, quando o ovo de galinha (15,39%) e o café moído (10,77%) exerceram forte influência. Atualmente, esses subitens registraram 4,55% (ovo de galinha) e -1,20% (café), este último no oitavo mês consecutivo de retração de preços, acumulando -10,13% nos últimos 12 meses. O arroz, cereal fundamental na dieta brasileira, acumula uma queda de 27,86% em 12 meses, impulsionada pela boa oferta do produto.

INPC: Inflação para Famílias de Baixa Renda Também em Desaceleração Anual

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mensura a inflação para famílias com rendimento de um a cinco salários mínimos, também registrou alta em fevereiro de 2026, atingindo 0,56%. Esse valor representa uma elevação de 0,17 ponto percentual em relação a janeiro (0,39%). No acumulado do ano, o INPC soma 0,95%. Nos últimos 12 meses, o índice ficou em 3,36%, mostrando um recuo em comparação com os 4,30% observados no período imediatamente anterior. Em fevereiro de 2025, o INPC havia atingido 1,48%. Aceleração foi vista tanto nos produtos alimentícios (de 0,14% para 0,26%) quanto nos não alimentícios (de 0,47% para 0,66%).

Em síntese, o relatório do IBGE para fevereiro de 2026 apresenta um cenário de contrastes: uma aceleração mensal impulsionada fortemente pelos reajustes educacionais e algumas altas nos transportes, mas que se insere em uma tendência mais ampla de desaceleração da inflação acumulada nos últimos doze meses, mantendo o índice oficial dentro das metas governamentais. A análise detalhada por grupos, incluindo o INPC, revela as diferentes pressões e alivios de preços que impactam o poder de compra dos brasileiros em diversas faixas de renda.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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