Dirigentes e militantes sindicais de todo o Brasil se reuniram em Florianópolis (SC) para a 2ª Oficina Nacional de Planejamento do Projeto Formação de Formadores e Formadoras Sindicais. Promovida pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) em parceria com a DGB Bildungswerk (DGB BW), a atividade teve como foco principal o debate sobre estratégias de formação política e a análise da conjuntura nacional e internacional, com vistas aos desafios que se apresentam até as eleições de 2026.
A Mística da Unidade e da Luta Coletiva
A abertura do evento foi marcada por uma mística que simbolizou a essência da construção sindical. Utilizando a analogia do trabalho dos pescadores, os participantes escreveram seus nomes, localidades e uma palavra que representava o significado da formação em tarjetas com formato de peixe. Posteriormente, organizados por regiões, depositaram seus “peixes” em uma grande rede. Essa dinâmica representou a união e a força coletiva indispensáveis para enfrentar o que foi metaforicamente chamado de “mar aberto” – uma clara referência aos complexos desafios inerentes à formação e à luta sindical.
Perspectivas dos Dirigentes sobre a Formação e o Futuro
A mesa de abertura contou com a presença de importantes lideranças da CUT, como Rosane Bertotti, secretária de Formação da CUT Brasil, Celso Woyciechowski, coordenador-geral da Escola Sindical Sul, e Rogério Manoel Corrêa, da CUT-SC, além de outros secretários e dirigentes nacionais e regionais. Rosane Bertotti, ao acolher os participantes, fez referência à mística de abertura, sublinhando a força intrínseca à luta coletiva. Ela enfatizou a importância de não “pescar sozinha”, mas de contar com a colaboração de todos para avançar nos objetivos propostos.
Estratégias para um Mar Revolto: Preparação para 2026
Celso Woyciechowski, conhecido como Celsinho, reiterou a importância da formação sindical como um processo contínuo de construção política, especialmente junto às bases. Utilizando a metáfora da pesca, comparou a atuação sindical a lançar a tarrafa em águas turbulentas, onde “no mar mais revolto que as maiores conquistas têm mais sabor”. Celsinho ressaltou que a formação exige a disposição de alcançar os lugares mais distantes e dialogar com as mais diversas categorias. Ele fez um alerta significativo sobre os desafios que 2026 trará, afirmando que o movimento sindical precisará usar “tarrafa, rede, caíco e assim por diante”, indicando a necessidade de múltiplas estratégias. O coordenador também fez questão de lembrar que o espaço da Escola Sindical Sul, que sedia a atividade, é fruto da construção solidária dos trabalhadores, “tijolinho por tijolinho”.
A Defesa da Democracia e dos Direitos Sociais como Pilares
Rogério Manoel Corrêa, representando a CUT de Santa Catarina, destacou a relevância primordial da formação sindical em um cenário de intensas disputas políticas e eleitorais. Para Corrêa, é fundamental que o movimento sindical fortaleça sua atuação junto à classe trabalhadora, buscando manter o projeto de governo em curso, especialmente em um ano eleitoral. Ele reforçou a defesa intransigente da democracia e dos direitos sociais como eixos centrais da luta sindical, alertando que a democracia “está sempre em risco” e que a história recente do país serve como lembrete de potenciais retrocessos. A formação, nesse contexto, surge como uma ferramenta essencial para capacitar as lideranças e o povo a salvaguardar essas conquistas.
Conclusão: Fortalecendo as Bases para os Próximos Anos
A Oficina Nacional de Planejamento da CUT reafirmou o compromisso da central com a educação política e a capacitação de seus quadros. A troca de experiências e a definição de estratégias são vistas como fundamentais para equipar os formadores sindicais, garantindo que o movimento esteja preparado para navegar as complexas águas políticas e sociais, defender os interesses da classe trabalhadora e assegurar o avanço da democracia e dos direitos no Brasil, especialmente com o olhar já voltado para os importantes embates de 2026.
Fonte: https://mundosindical.com.br